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Muito além da metragem, a arquitetura redefine os limites da privacidade

Foto: Divulgação Mirante

Da implantação das torres à organização dos ambientes, decisões arquitetônicas buscam preservar a intimidade dos moradores sem comprometer a convivência nos condomínios

A privacidade ocupa um espaço cada vez maior nas decisões arquitetônicas dos empreendimentos residenciais de alto padrão. A busca por conforto e tranquilidade tem levado as incorporadoras a considerar esse atributo desde as primeiras etapas de concepção dos projetos, influenciando a implantação das torres, a distribuição dos ambientes internos e a organização das áreas comuns.

A preocupação envolve diferentes dimensões da experiência de morar. O distanciamento entre edifícios, a preservação da intimidade nos quartos, a garantia de vistas livres e a separação entre espaços de convivência e ambientes de uso mais reservado são decisões que contribuem para proporcionar discrição e tranquilidade aos moradores. Ao mesmo tempo, os condomínios precisam conciliar essa individualidade com estruturas que favoreçam o encontro, o lazer e a convivência.

Em edifícios residenciais, a privacidade não depende apenas da existência de espaços individuais. A posição das torres, a orientação das janelas, a distribuição dos acessos e a proximidade entre ambientes de diferentes unidades podem interferir na maneira como os moradores utilizam suas residências. São aspectos definidos ainda na fase de projeto e que, depois da construção, dificilmente podem ser modificados.

A distância entre edifícios também define a privacidade

O planejamento da implantação das torres é uma das primeiras decisões capazes de influenciar a intimidade dos moradores. A distância entre fachadas e a posição das aberturas interferem na exposição visual dos ambientes internos, especialmente em regiões de elevada verticalização, onde edifícios residenciais dividem um mesmo campo de visão.

A questão não se resume à distância física entre construções. O posicionamento dos quartos, das varandas e das áreas de convivência também determina como os espaços se relacionam com os edifícios vizinhos. Um projeto pode aproveitar a paisagem disponível e, ao mesmo tempo, procurar reduzir situações em que ambientes de uso íntimo fiquem diretamente expostos.

Para Polyana Carvalho, diretora de Incorporação e Projetos da Mirante Incorporações, essas decisões precisam ser consideradas de maneira integrada ao planejamento arquitetônico.
 

“A preocupação com o distanciamento entre torres, com a vista dos quartos entre vizinhos e a vista livre da varanda é essencial para garantir a exclusividade e a discrição que o morador tanto busca ao chegar em sua moradia”, comenta.

A intimidade começa na planta do apartamento

A concepção dos espaços internos também exerce papel importante na experiência de morar. A separação entre áreas sociais e íntimas permite que diferentes atividades aconteçam simultaneamente, sem que a circulação de visitantes ou os momentos de convivência interfiram diretamente nos ambientes de descanso.

Em apartamentos de grandes dimensões, essa organização exige atenção especial. A amplitude dos espaços oferece mais possibilidades de distribuição, mas não assegura, por si só, privacidade. O posicionamento das suítes, a relação entre salas e quartos e os percursos internos são decisões que influenciam a utilização cotidiana da residência.
 

“Ao elaborar um projeto, distribuímos as áreas sociais de um lado e as íntimas do outro. Um exemplo é a suíte principal distante da sala, cozinha e serviço”, diz Polyana.

A organização dos acessos também participa dessa experiência. Halls privativos, por exemplo, estabelecem uma transição entre a circulação coletiva e a entrada da residência. Quando associados a uma quantidade reduzida de unidades por pavimento, podem proporcionar maior independência aos moradores e diminuir o compartilhamento dos espaços de chegada.

No Arboreto Mirante, empreendimento residencial de alto padrão localizado em frente ao Parque de Águas Claras, a Mirante Incorporações adotou halls privativos e uma configuração de apenas dois apartamentos por pavimento. Segundo Polyana Carvalho, ter um hall privativo dá a possibilidade do morador decorar e ambientar a entrada do seu apartamento com uma linguagem única. “Além disso, o fato de termos duas unidades por pavimento possibilita elevadores sociais privativos por prumada, garantindo exclusividade”, acrescenta.

Áreas comuns exigem mais do que uma lista de equipamentos

A ampliação das estruturas de lazer nos condomínios residenciais trouxe novos desafios ao planejamento arquitetônico. Academias, piscinas, spas, salões de festas e ambientes destinados às crianças possuem características distintas de utilização e precisam compartilhar uma mesma estrutura sem comprometer a tranquilidade dos moradores.

A localização de cada espaço pode interferir na circulação de visitantes, no funcionamento simultâneo das atividades e na relação entre ambientes de convivência e áreas reservadas. Por isso, a distribuição dos equipamentos precisa considerar não apenas a quantidade de opções oferecidas, mas também o perfil de quem vai utilizá-las.

No Arboreto Mirante, a organização das áreas comuns foi definida levando em conta essas diferenças de utilização.
 

“As áreas comuns com acesso a visitantes, como salão de festas e espaço gourmet, estão localizadas na torre mais próxima da portaria. Já as áreas de acesso aos moradores, como academia, SPA e brinquedoteca estão em outra torre”, explica Polyana.

A disposição dos ambientes também considera a relação entre atividades distintas. “A brinquedoteca, por exemplo, fica ao lado do playground, e os espaços de festas mantêm certa distância entre si, para que cada evento tenha seu espaço preservado”, aponta a diretora de Incorporação e Projetos.

A organização dos espaços compartilhados também interfere na utilização futura do condomínio. Ambientes pouco procurados ou inadequados às necessidades dos moradores podem representar despesas permanentes de manutenção, sem oferecer benefícios proporcionais à coletividade.
 

“Entendemos que quantidade nem sempre é qualidade. Temos que oferecer uma área comum completa, mas dentro do que o nosso público deseja. Ambientes sem uso são somente custo na taxa de condomínio para o morador. O importante é termos espaços que são desejados pelo público e que serão usados para gerar qualidade de vida”, defende Polyana Carvalho.

A paisagem não pode comprometer a intimidade

A relação entre arquitetura e paisagem acrescenta outra dimensão ao planejamento dos edifícios residenciais. A valorização de vistas livres e da proximidade de áreas verdes precisa ser conciliada com a preservação dos ambientes internos, especialmente quando diferentes unidades procuram aproveitar uma mesma orientação visual.

Em empreendimentos situados diante de parques, a implantação das torres pode influenciar tanto o aproveitamento da paisagem quanto a exposição dos quartos e varandas. A posição dos edifícios e a distribuição dos ambientes tornam-se, portanto, decisões que precisam considerar simultaneamente a vista e a privacidade.

No caso do Arboreto Mirante, a localização em frente ao Parque de Águas Claras influenciou a implantação das duas torres, planejadas para permitir que todas as unidades tenham vista livre para a área verde, sem que um edifício comprometa a visibilidade do outro.
 

“Também pensamos que a privacidade dos quartos deveria ser mantida e que os banheiros das suítes deveriam ter uma ventilação natural. Ao elaborar essa planta, a ideia principal era ter uma sala conjugada com a cozinha, com uma ampla varanda gourmet voltada ao parque, para que a área verde seja a extensão do apartamento”, declara a diretora de Incorporação e Projetos da Mirante.

Em projetos residenciais, a qualidade da privacidade resulta de decisões que nem sempre são percebidas em uma primeira visita ao imóvel. A disposição das torres, a organização das plantas, os acessos e a distribuição das áreas comuns permanecem como características do edifício ao longo de sua utilização.

Mais do que separar fisicamente os moradores, essas escolhas procuram assegurar que a convivência e a intimidade possam coexistir. Em condomínios que reúnem diferentes famílias, hábitos e rotinas, a arquitetura precisa oferecer condições para que cada pessoa utilize os espaços coletivos sem abrir mão da tranquilidade dentro de casa.
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